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Sobre o imperialismo – a pirâmide imperialista (parte 2)

De Aleka Papariga, ex-Secretária Geral do CC do Partido Comunista da Grécia (KKE) 


O oportunismo justifica sua trajetória descendente interpretando de modo arbitrário citações de Marx e Lenine


Devido à existência e actividade do KKE, e principalmente por causa das suas tácticas aventureiras, eles aparecem como substitutos do movimento comunista, invocam fragmentos de Lenine, e mesmo de Marx e Engels para acusar o nosso Partido de ter abandonado o socialismo científico.


Hoje é absolutamente necessário recordar alguns elementos básicos do conceito leninista de imperialismo que foram confirmados, bem como destacar os desenvolvimentos que se estão a acelerar e a tornar ainda mais imperativo do que antes identificar a luta anti-imperialista com a luta anti-capitalista. A resposta ao capitalismo não é, entre outras coisas, o retorno impossível à época do capitalismo da livre concorrência, das empresas capitalistas dispersas, mas a necessidade e a validade do socialismo, a aquisição de preparação em condições de situação revolucionária. Uma preparação que, claro, não pode ser conciliada com o oportunismo na luta diária.


Mesmo se imaginarmos o inimaginável, ou seja, se fosse possível regressar ao capitalismo da livre concorrência, isso inevitavelmente levaria novamente ao nascimento dos monopólios. As grandes empresas têm dentro de si a tendência de se tornarem um monopólio. Marx já tinha deixado claro que a livre concorrência cria o monopólio.


A história tem mostrado que o monopólio, como consequência da concentração do capital, como lei fundamental da actual fase do capitalismo, é uma tendência geral em todo o mundo e pode coexistir com formas pré-capitalistas de economia e propriedade. No final do século XIX, a crise económica acelerou a criação de monopólios, como todas as crises económicas cíclicas que aceleraram a concentração e a centralização e a ascensão de poderosos monopólios, reproduzindo a concorrência num nível mais elevado. A emergência dos monopólios e o seu desenvolvimento, expansão e penetração não se dão simultaneamente em todos os países, nem mesmo nos países vizinhos, mas certamente se dá da mesma forma, com a exportação de capitais que prevalecem sobre a exportação mercadorias. O surgimento e o fortalecimento de monopólios, ainda que limitados a determinados sectores a nível nacional, acabam por causar anarquia no conjunto da produção capitalista. Isso foi particularmente característico no século XX e até aos dias de hoje: o desequilíbrio no desenvolvimento entre a produção industrial e agrícola, o desequilíbrio no desenvolvimento entre sectores da indústria. O desequilíbrio não tem a ver apenas com os sectores de produção, mas também com o desequilíbrio na aplicação e uso da tecnologia. A política de saque, de anexações, de conversão de Estados em protectorados, a política de desmembramento de Estados não é resultado da imoralidade política por parte dos poderosos imperialistas, nem é uma questão de subordinação e cobardia por parte da burguesia do país em dependência. É uma questão que tem a ver com a exportação de capital e a desigualdade inerente ao capitalismo ao nível nacional e internacional.


A Grécia é um dos exemplos característicos que, sem dúvida, tem um valor universal, uma vez que o fenómeno não é meramente grego. O nosso país possui um potencial produtivo significativo, que, no entanto, se desenvolveu selectivamente no curso do desenvolvimento capitalista, enquanto a incorporação do país na União Europeia e a sua relação com o mercado capitalista mundial em geral levou a um uso ainda mais restritivo dos seus recursos naturais. Resumidamente, deve-se notar que a Grécia tem recursos energéticos importantes, recursos minerais importantes, produção industrial e agrícola, artesanato, ou seja, recursos que podem cobrir grande parte das necessidades das pessoas, como a necessidade de alimentos, energia, transporte, construção de obras públicas, infraestruturas e habitação popular. A produção agrícola pode apoiar a indústria em vários sectores. No entanto, a Grécia, não só como resultado da crise, mas de todo o percurso de assimilação pela pirâmide imperialista, deteriorou-se ainda mais. Depende das importações, enquanto os produtos gregos não se vendem e são enterrados.



Esta é uma característica que mostra as consequências da propriedade capitalista e da concorrência capitalista, tanto a nível europeu como a nível mundial.


Assim como Kautsky, o oportunismo contemporâneo divide o capital em secções separadas, concentra a sua crítica numa das suas formas.


Lembremo-nos de que Kautsky considera inimigo apenas uma parte do capital, o capital industrial, que, com a sua política imperialista, lança o seu ataque em primeiro lugar contra as zonas rurais, criando assim um desequilíbrio entre o desenvolvimento da indústria e o da agricultura. Isso é suposto ser um desvio estrutural. Os oportunistas contemporâneos afirmam mais ou menos as mesmas posições, centrando as suas críticas no sistema bancário, nos banqueiros, no capital bancário, sem levar em conta a fusão do capital bancário com o capital industrial, embora se apresentem como marxistas. Os desequilíbrios que aparecem mesmo nos países capitalistas desenvolvidos nos diferentes ramos e sectores são atribuídos à irracionalidade ou a uma tendência para a especulação que consideram imoral, pois fazem uma distinção entre rentabilidade e especulação.


Mas a posição de que a exportação de capital era direccionada exclusivamente para o meio rural não se confirmou nem mesmo no período em que o oportunista Kautsky estava no seu apogeu. Também nessa altura, a política das chamadas anexações, utilizando o capital financeiro como alavanca, afectou também as zonas industriais. Se o capitalismo, na sua fase imperialista, apoiasse todo o potencial de desenvolvimento de todos os países, sem excepção, então não teria tal nível de acumulação capitalista para exportar capital e explorar as matérias-primas e a classe trabalhadora de um grande número de países, mantendo-os vinculados por uma variedade de relações de dependência e interdependência.


Fonte: Iskra - Associação de Estudos Marxistas-Leninistas e El Machete (El Comunista)



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