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Alavanca: Méritos do KKE

Nota prévia: Podemos ter nos esquecido de alguma coisa. Mas queremos salientar o que o KKE fez de melhor desde a sua viragem à esquerda, viragem revolucionária, em 1991. Queremos elaborar uma lista aqui do que consideramos legado para o futuro da parte do KKE, apesar de termos grandes divergências com o KKE hoje. Isto é uma lista de princípios que se fossem sempre seguidos garantiriam o caminho marxista-leninista do KKE ou de qualquer outro Partido Comunista.

Méritos do KKE:

1 - Crítica às Frentes Populares.

2 - Crítica à dissolução da Internacional Comunista em 1943.

3 - O universalismo (como nós lhe chamamos), a ideia de que todos os países têm mais em comum politicamente do que diferenças nas particularidades. Isto serve de base para a ideia do imperialismo como um sistema global e rejeita a ideia de que imperialistas são apenas alguns países. E isto também serve de base para a ideia de que deveria existir uma estratégia comunista global e que não existem tipos nacionais de socialismo ou marxismo.

4 - A ideia da Estratégia Revolucionária Internacional Unificada.

5 - A rejeição de fases entre o capitalismo e o socialismo. Isto baseia-se na ideia de que, em geral, o tempo das revoluções burguesas já tinha terminado há muito tempo em todo o mundo. No entanto, o KKE considera, em teoria, correctamente, que num caso como o da Palestina, o estabelecimento de um novo Estado burguês para pôr fim à ocupação estrangeira é um passo em frente - há pelo menos um caso em que o próximo passo não é um Estado socialista.

6 - O KKE defendeu primeiro uma Aliança Popular e depois uma Aliança Social (não conseguimos ver grande diferença entre as duas, excepto na mudança de palavras, que não nos parece ter um significado especial). Vemos essa política de alianças como um regresso ao conceito de sovietes e de poder dual.

7 - A defesa daquilo a que a burguesia chama "purgas estalinistas" e que, em poucas palavras, é designada por "violência revolucionária" pelos marxistas-leninistas. Para ser mais claro para quem não percebeu, trata-se de uma política em termos militares e policiais de combate aos inimigos externos e internos durante o socialismo. O KKE afirmava que a luta de classes continua durante todo o processo desde o socialismo até à sociedade sem classes (comunismo). Isto significa que a ditadura do proletariado não são apenas palavras, estas palavras significam literalmente o que dizem. Além disso, o KKE foi muito claro ao afirmar que a revolução socialista e também a possibilidade de guerra civil e de combate à ocupação estrangeira exigem que o partido comunista construa a sua própria força militar (exército).

8 - A rejeição da produção mercantil no socialismo e a rejeição da "lei do valor" no socialismo. O socialismo deve caminhar no sentido de abolir as mercadorias e os elementos de mercado, e o KKE afirmou que é isso que deveria ter sido feito na União Soviética após a Segunda Guerra Mundial - mencionando a batalha ideológica de Stalin com os economistas soviéticos pró-mercado (no livro "Problemas Económicos do Socialismo").

9 - A defesa crucial da utilização de organizações partidárias legais e ilegais pelo KKE em todos os momentos. Como forma de o Partido Comunista estar preparado tanto para a democracia burguesa como para o fascismo.

10 - A análise detalhada do KKE sobre o oportunismo/revisionismo e de como se desenvolve dentro dos Partidos Comunistas, acabando por os destruir. O livro "Assuntos Teóricos sobre o programa do KKE", que inclui a análise sobre o oportunismo/revisionismo e vários outros assuntos ideológicos e estratégicos essenciais.

11 - A ideia de que o valor dos Partidos Comunistas não é medido principalmente pelos seus números internos (membros, votos, sindicatos, eleições, etc), e de que em vez disso os Partidos Comunistas devem ser valorizados sobretudo pelo seu carácter revolucionário ideológico e estratégico.

12 - A ideia de que o Partido Comunista não deve externalizar o trabalho teórico para o exterior (para as universidades burguesas, que são burguesas quer sejam "estatais" ou "privadas"), e de que é crucial que o próprio PC se baseie na sua própria produção teórica interna para desenvolver e aplicar o marxismo-leninismo.

13 - As ideias e críticas de Aleka Papariga sobre o feminismo e o movimento LGBT. Incluiriamos também a posição do KKE e do KNE contra as drogas, como parte daquilo a que os intelectuais burgueses chamariam guerras culturais. Neste caso, realçamos que o Partido Comunista do México fez algo melhor do que o KKE ao transformar uma crítica ao feminismo numa resolução política ao nível de congresso do Partido. Acreditamos que o KKE deveria também reunir as ideias e críticas de Aleka Papariga sobre o movimento LGBT e transformá-las numa resolução política ao nível de congresso do Partido, de forma a servir de referência estratégica para o futuro.

14 - A análise do KKE sobre a história da União Soviética e da Internacional Comunista na resolução do congresso de 2008 "Teses sobre o socialismo" é um documento estratégico que nenhum partido tinha feito antes e abriu caminho a toda uma estrutura marxista-leninista, corrigindo erros do passado e também defendendo ideias e políticas vitais que tinham sido abandonadas.

15 - A criação dos "Encontros Internacionais de Partidos Comunistas e Operários", da Solidnet, da "Revista Comunista Internacional", da "Iniciativa Comunista Europeia", da Acção Comunista Europeia e assim por diante, fazem parte de uma tendência geral para reconstruir uma Internacional Comunista, tudo isto por iniciativa do KKE. Este caminho estava correcto e está correcto, e só precisa de ir mais longe e de se aprofundar. Após 1991, era compreensível ter uma política de portas mais abertas para qualquer partido que se auto-intitulasse comunista, porque havia muita confusão, mas com o tempo, e certamente hoje, é mais importante romper laços e rejeitar e opor-se abertamente aos falsos partidos comunistas, revisionistas/oportunistas.

16 - Estratégia e táctica. As tácticas devem estar sempre subordinadas à estratégia revolucionária. As tácticas devem ser julgadas pela forma como contribuem para a estratégia, isto é para o objectivo final da revolução socialista. Nesse sentido a rejeição do KKE de participar ou apoiar qualquer tipo de governo burguês na Grécia, a posição do KKE de rejeitar gerir o capitalismo, deveria ser uma posição universal que define quais os partidos comunistas são verdadeiros ou falsos e deveria levar ao rompimento com partidos que se dizem comunistas que gerem o capitalismo.

17 - Tácticas sindicais do KKE dentro da frente sindical PAME. A utilização de fundos de greve. O papel dos desempregados dentro da PAME e dos sindicatos em que estão presentes membros do KKE nos quais os desempregados podem ser membros apesar de não terem dinheiro para pagar cotas e têm os mesmos direitos que um trabalhador no activo e são eleitos dirigentes sindicais (isto foi especialmente visível nos anos da Troika). A greve de 9 meses, que chamamos de Greve do tipo "um grande golpe", levada a cabo pelos sindicatos da PAME no caso da empresa "Siderúrgicas Gregas" (Χαλυβουργία Ελλάδος) entre 2011 e agosto de 2012. Esta greve em particular foi apoiada por fundos de greve e por todo o movimento sindical da PAME durante 9 meses em que os operários da empresa "Siderúrgicas Gregas" ocuparam a fábrica. A greve teve o apoio de uma grande manifestação da PAME e do KKE com um discurso da líder do KKE Aleka Papariga nos portões da fábrica. A táctica deste tipo de greve, que chamamos de Greve do tipo "um grande golpe", é um ataque concentrado de um movimento sindical inteiro, de dezenas de sindicatos, contra uma única empresa capitalista de forma a mostrar à classe operária do país inteiro que se pode esmagar um patrão e que os operários têm poder na sua luta para esmagar um patrão. Esta táctica faz lembrar em termos militares o que fazem as guerrilhas que são incapazes de derrotar um exército convencional numa luta de tipo guerra convencional (ou de trincheiras) mas que conseguem derrotar um grande destacamento de um exército convencional num único ponto quando todas as forças da guerrilha se concentram contra uma pequena parte do exército convencional, num único quartel ou destacamento militar.




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